domingo, 17 de agosto de 2008

Rhea americana

Até onde vai nosso poder de subjugar a vida, a liberdade?

Do lado de lá de grades, gaiolas, muros e vidros estão eles, as estrelas, aqueles cuja existência parece não ser um prazer, mas apenas serventia de entretenimento para os seres e os filhos desses seres que se dizem humanos, a grande espécie Homo sapiens (homem sábio?!) que parece nada saber sobre cuidado, compaixão e respeito.

Lá, onde vários tipos de ruídos se misturam, ouvem-se risos, bramidos, rugidos, piados, ganidos, gorjeados desesperados de araras que se lançam em cheio às grades de suas “imensas” gaiolas, talvez numa tentativa de tornar breve uma vida sem livre-arbítrio.

Um lugar onde pingüins são mantidos em um ambiente longe de se parecer com seu hábitat natural, onde a artificialidade de um aparelho de ar condicionado lhes dá a falsa sensação do clima de sua terra natal.

E lá estavam, também, dezenas de pais esperando na fila para comprar seus ingressos com seus filhos afoitos por verem os animaizinhos vistos no “Animal Planet” e nos desenhos animados, ao vivo, mas com algumas diferenças básicas: esses não falam, não usam roupas, não vão aos lugares que desejam (somente até onde as paredes, grades e vidros lhes permitem), não podem caçar, correr, voar, migrar, etc., etc., etc...

Foi nesse lugar, mas em um ambiente externo ao Zoo, em um regime chamado de semi-liberdade (um tipo de eufemismo para prisão) que a vi: uma linda representante da espécie Rhea americana, que todos nós conhecemos como ema, a maior ave brasileira, que diga-se de passagem, já está extinta em algumas áreas do nordeste brasileiro.

Lá estava ela, como já disse, do lado de lá de uma grade forte e alta, ornamentada por uma tela fina de arame que pouco a permitia colocar seu pescoço para o lado de fora. Ela era curiosa, veio até onde eu estava, ficou olhando pra mim e eu pra ela, teria me permitido um toque se eu ousasse, mas não quis invadir seu espaço, preferi ficar observando seus movimentos graciosos. Várias pessoas chegaram ali também, comentaram, observaram e se foram, eu continuei lá e me atrevi a tirar uma foto (a do início da página), estava muito perto dela. Mas de repente, numa fração de segundo, a ema se transformou. Voltou-se violentamente para a lateral da grade, que dava pra uma rua dentro do parque, investindo fortes bicadas contra a tela de arame, suas asas estavam abertas, queria aumentar seus tamanho para assustar um ser que se movia na sua direção. O ser era uma moça, guarda do parque, usava um uniforme azul e trazia na mão um bastão de madeira. Quanto mais ela se aproximava, mais a ema reagia com violência. A moça até tentou ser dócil, mas a Rhea americana não baixou a guarda, a acompanhou por toda a lateral da grade, até que a mesma desaparecesse de seu campo de visão.

Enquanto permaneci no parque pude ver, embora de longe, a ema estressada, com o olhar atento a qualquer movimento do outro lado da grade, andando de um lado para o outro, na mesma lateral, parecia esperar o retorno do ser de uniforme azul...

Qual será a relação do seu comportamento com o uniforme? Foi o que fiquei pensando. Sim, porque antes do incidente, várias pessoas chegaram perto da grade e ela permaneceu calma...

Se esses animais pudessem falar, talvez nos contariam sobre sua vida, seus dias, suas noites, seus filhotes não concebidos, sobre a privação de seus extintos básicos como voar, correr, caçar, migrar...

Falariam sobre seus medos, sobre os seres de uniformes azuis, vermelhos, amarelos, verdes, brancos...

Talvez só assim aprenderíamos sobre respeito, compaixão e cuidado...
Lily Oliver

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Oceano de plástico

Já pararam pra pensar onde vai parar o "lixinho" que depositamos toda semana no latão, lá na rua, ou no depósito do condomínio?

No caminhão de lixo????


Sim, por que não?! Afinal, esse é o meio de transporte que o levará ao suposto destino final que será um aterro "sanitário" (não entendo o porquê de sanitário, o solo seria uma privada?! Parece que sim, é xurume pra dedéu!) ou os gigantescos oceanos (sei lá, mas acho que a idéia de gigantesco parece nos dar o direito de transformá-los em meras privadas também, ou mais que isso...). Ou será que pensamos que todo o lixo que produzimos irá de alguma forma desaparecer como se fosse mágica? Quanta hipocrisia...

Nada disso!

Os materiais que não são orgânicos ficam lá, em algum lugar esperando anos, séculos e olhe lá, para serem degradados pela natureza. Enquanto isso, nós continuamos aqui consumindo e produzindo montanhas e mais montanhas deles, apenas esperando o momento em que todo esse lixo retorne à nós. Aliás, já está retornando...

Como? Boa pergunta!

Pense, por exemplo, no que você vê na sua mesa, ou na mesa do restaurante onde você almoça todos os dias ou em um domingão com a família... É, é isso mesmo: o PRATO DE COMIDA! Ou você pensa, por exemplo, que os pobres animais do seu prato se alimentaram de brisa? Consequentemente, somos os comsumidores finais da maioria das porcarias que mandamos pra natureza, triste né?

Os amantes de uma "boa" moqueca, irão pensar duas vezes antes de deglutí-la depois de ler a matéria abaixo, eu fiquei horrorizada com a notícia...

Talvez, depois de lê-la, também sintam a mesma necessidade que eu senti de reduzir ao máximo minha fábrica cotidiana de lixo.

Lily Oliver



Durabilidade, estabilidade e resistência a desintegração. As propriedades que fazem do plástico um dos produtos com maiores aplicações e utilidades ao consumidor final, também o tornam um dos maiores vilões ambientais. São produzidos anualmente cerca de 100 milhões de toneladas de plástico e cerca de 10% deste total acabam nos oceanos, sendo que 80% desta fração vem de terra firme.


















Foto do vórtex


No oceano pacífico há uma enorme camada flutuante de plástico, que já é considerada a maior concentração de lixo do mundo, com cerca de 1000 km de extensão, vai da costa da Califórnia, atravessa o Havaí e chega a meio caminho do Japão e atinge uma profundidade de mais ou menos 10 metros . Acredita-se que haja neste vórtex de lixo cerca de 100 milhões de toneladas de plásticos de todos os tipos. Pedaços de redes, garrafas, tampas, bolas , bonecas, patos de borracha, tênis, isqueiros, sacolas plásticas, caiaques, malas e todo exemplar possível de ser feito com plástico. Segundo seus descobridores, a mancha de lixo, ou sopa plástica tem quase duas vezes o tamanho dos Estados Unidos.

O oceanógrafo Curtis Ebbesmeyer, que pesquisa esta mancha há 15 anos compara este vórtex a uma entidade viva, um grande animal se movimentando livremente pelo pacifico. E quando passa perto do continente, você tem praias cobertas de lixo plástico de ponta a ponta.














Tartaruga deformada por aro plástico

A bolha plástica atualmente está em duas grandes áreas ligadas por uma parte estreita. Referem-se a elas como bolha oriental e bolha ocidental. Um marinheiro que navegou pela área no final dos anos 90 disse que ficou atordoado com a visão do oceano de lixo plástico a sua frente. 'Como foi possível fazermos isso?' - 'Naveguei por mais de uma semana sobre todo esse lixo'. Pesquisadores alert am para o fato de que toda peça plástica que foi manufaturada desde que descobrimos este material, e que não foram recicladas, ainda estão em algum lugar. E ainda há o problema das partículas decompostas deste plástico. Segundo dados de Curtis Ebbesmeyer, em algumas áreas do oceano pacifico podem se encontrar uma concentração de polímeros de até seis vezes mais do que o fitoplâncton, base da cadeia alimentar marinha.














Todas a peças plásticas à direita foram tiradas do estômago desta ave


Segundo PNUMA, o programa das nações unidas para o meio ambiente, este plástico é responsável pela morte de mais de um milhão de av es marinha todos os anos. Sem contar toda a outra fauna que vive nesta área, como tartarugas marinhas, tubarões, e centenas de espécies de peixes.






Ave morta com o estômago cheio de pedaços de plástico

E para piorar essa sopa plástica pode funcionar como uma esponja, que concentraria todo tipo de poluentes persistentes, ou seja, qualquer animal que se alimentar nestas regiões estará ingerindo altos índices de venenos, que podem ser introduzidos, através da pesca, na cadeia alimentar humana, fechando-se o ciclo, na mais pura verdade de que o que fazemos à terra retorna à nós, seres humanos. Fontes: The Independent, Greenpeace e Mindfully Ver essas coisas sempre servem para que nós repensemos nossos valores e pricipalmente nosso papel frente ao meio ambiente, ou o ambiente em que vivemos.
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